Informações sobre as três pontes que ligam a ilha de Santa Catarina ao Continente
0 TRAPICHE MUNICIPAL
Até a segunda metade do século XIX, a comunicação entre a Ilha de Santa Catarina e o continente era muito precária e arriscada, transportando-se animais, cargas e pessoas por meio de frágeis embarcações, como canoas e jangadas. Os barcos atracavam em pequenos e miseráveis trapiches, localizados tanto na Baía Norte quanto na Sul.
Em 1874 , surgem estudos para melhorar o ponto de desembarque junto ao antigo Mercado, na Baía Sul. Em 1887 , o Serviço de Passagem do Estreito já possuía casa para estação e abrigo dos passageiros, dois deles na Ilha e um em terra firme, podendo embarcar ou desembarcar no Forte de Santana, ou na praça principal da cidade, conforme as condições do tempo permitissem. A passagem do canal contava com uma chata para o transporte de animais e três botes para passageiros.
Em 1896, começa o serviço de passagem do Estreito, por meio de lanchas a vapor.
Por volta de 1920 , era intenso o movimento náutico de travessia do canal. Conviviam lanchas movidas a gasolina, com os botes a reboque ou mesmo a vela. Nos dias de grande movimento de passageiros, tornou-se obrigatório levar embarcações a reboque. O Trapiche Municipal, situado bem em frente ao Largo da Matriz, sofreu diversas intervenções, na tentativa de adaptá-lo devidamente às suas funções, e só foi substituído em 1925, quando o governo abriu concorrência pública, para a construção de um novo cais, destinado ao embarque e desembarque de passageiros, o conhecido Miramar.
Fonte : VEIGA, Eliane Veras da. Florianópolis: Memória Urbana. Florianópolis: Editora da UFSC e Fundação Franklin Cascaes, 1993. (livro do acervo da biblioteca de apoio do Arquivo Histórico Municipal de Florianópolis)
MIRAMAR
Em 1925 , a Municipalidade aceitou uma proposta do Senhor Mário Moura, que construiu um trapiche e pavilhão anexo, o Miramar. A obra foi orçada em 90 contos, contribuindo a Municipalidade com 60 contos e o Senhor Mário Moura com 30,
".tendo direito, durante muitos anos de explorar comercialmente o pavilhão no qual será instalado um café elegante, sala para refeições compartimentos para banhos, tudo com luxo e elegância."
O projeto dos engenheiros Corsini, autores também dos planos do Hotel La Porta e do Novo Mercado Público, foi executado sob a orientação do arquiteto Augusto Hubel.
Com relação ao estilo adotado para o café, que seria mais tarde conhecido por Bar Miramar, predominaram as linhas ecléticas, distinguindo-se na frontaria do portal de acesso elementos neoclássicos e insinuações em art-déco. Havia um vitral na parte alta da fachada e dois golfinhos em massa decorando a platibanda recortada.
O pitoresco e elegante Bar Miramar foi inaugurado em 28 de setembro de 1928, e demolido em 24 de outubro de 1974 , quando estavam em andamento as obras de aterro da Baía Sul.
Em 1988 , a Prefeitura Municipal promoveu o concurso “Revivendo o Miramar”, que resultou num projeto arquitetônico de recriação do prédio, na orla do Aterro da Baía Sul, que até então, não foi executado.
Para tentar resgatar parte da memória daquele edifício, a Municipalidade construiu em 1988, no mesmo local, uma praça seca, pavimentada com desenhos que lembravam a planta baixa do Miramar, referência àquele espaço arquitetônico, circundado pelo mar. E, em 2001, a recuperação da Praça Fernando Machado reforça a importância histórica do Miramar.
Fonte : VEIGA, Eliane Veras da. Florianópolis: Memória Urbana. Florianópolis: Editora da UFSC e Fundação Franklin Cascaes, 1993. (livro do acervo da biblioteca de apoio do Arquivo Histórico Municipal de Florianópolis)
Foto de domínio público
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