|
Desmistificando
a Castração
A decisão de
esterilizar ou castrar nosso animal indica o nível
de responsabilidade que assumimos para com ele.
Porém, existem tantos mitos e “crendices”
sobre este assunto que vale a pena ler este artigo,
onde são respondidas as perguntas mais freqüentes
sobre o tema.
O que é
esterilizar?
É um procedimento cirúrgico para impedir
a reprodução do animal, e pode ser
realizado em machos (vasectomia) e em fêmeas
(ligadura de trompas). Em ambos os casos os órgãos
sexuais permanecem, e o animal mantém sua
conduta sexual, já que o processo hormonal
não se modifica (as fêmeas continuam
tendo o período do cio).
O que é
castrar?
É a retirada cirúrgica dos órgãos
sexuais. Machos: testículos (castração);
fêmeas: ovários (ovarioctomia), ou
ovários e útero (ovariohisterectomia).
Os processos hormonais desaparecem e o caráter
do animal não sofre alteração.
Nos machos agressivos por domínio sexual,
esta tendência pode atenuar ou desaparecer.
As fêmeas não tem o período
de cio.
Qual recomendamos?
A Coordenadoria do Bem Estar Animal recomenda, sem
dúvida, a castração pelas razões
que exporemos a seguir.
Por quê
privar o animal de desfrutar sua vida sexual?
Não podemos privar do que não existe.
Os animais não vivem a sexualidade como os
humanos. Para um animal o sexo é apenas o
processo físico da reprodução.
Se comer e beber é a garantia da sua sobrevivência
individual, o sexo é a garantia da sobrevivência
da sua espécie. Para o homem o sexo é
uma finalidade em si mesma, para o animal é
apenas a concepção de outros indivíduos.
A prova é que a fêmea só aceita
ser montada quando está no cio, ou seja,
quando seu corpo apresenta uma exigência hormonal.
Fora deste período, rejeita o macho de forma
agressiva, evidenciando que para ela não
existe uma situação de prazer relacionada
com o sexo, e sim uma situação de
necessidade hormonal. Do mesmo modo, o macho só
procura uma fêmea quando recebe a informação
química de uma fêmea no cio.
Tenho pena
de operar meu animal!
Você pode gostar muito do seu animal, mas
não deve humaniza-lo. Quando o veterinário
sugere a castração para um macho,
o proprietário masculino tende a “proteger-se”
como se fosse sugerida para ele mesmo. É
uma reação normal e lógica,
mas a decisão de esterilizar um animal é
para o seu bem.
Mas ele engorda?
Um animal que tem uma alimentação
inadequada engordará operado ou não.
Em ambos os casos sua comida deverá ser adequada
e deverá ter a possibilidade de fazer exercícios
físicos freqüentes.
Muda o caráter?
Depois da castração só se modificam
as condutas diretamente ligadas aos seus hormônios,
como a marcação do território,
no caso dos machos.
Muitas vezes quem muda de caráter é
o próprio dono, tornando-se mais protetor
e amigo do seu animal, ou porque tem pena por te-lo
castrado, ou porque o animal “já não
incomoda tanto”. Em qualquer caso a mudança
é sempre positiva.
Uma fêmea
deve ter pelo menos uma ninhada?
Não. Esta idéia é falsa. A
reprodução é um processo hormonal
e químico. Uma vez que as fêmeas estão
castradas não tem nenhuma necessidade de
reproduzir-se e também não terão
mais gravidez psicológica. A chamada da maternidade
nas fêmeas desaparece por completo juntamente
com os problemas com ela relacionados.
Os veterinários
não sugerem a esterilização
ou castração apenas para ganhar dinheiro?
Os veterinários são os profissionais
qualificados para fazer esta sugestão, pois
o seu dever é zelar pelos animais. Tanto
os presentes quanto os animais que nascerão
em ninhadas indesejadas.
E em que a
saúde do animal é beneficiada?
A castração evita, na fêmea,
a gravidez psicológica, a piometra e alguns
tumores mamários. Nos machos evita tumores
testiculares, hérnias perianales, tumores
de glândulas hepatóides, tumores de
glândulas perianales, tumores e quistes prostáticos,
entre outros.
Segundo o “American Journal of Veterinarian Research”
(Revista Americana de Investigação
Veterinária), a longevidade de um animal
castrado aumenta em machos caninos 24%, em machos
felinos 36%, em fêmeas caninas 20% e em fêmeas
felinas 40%.
Custa muito
caro?
O custo desta cirurgia depende do tamanho e sexo
do animal.
Existem ONGs que propiciam a cirurgia a um preço
muito especial e a Prefeitura Municipal de Florianópolis
realiza a cirurgia totalmente grátis para
quem não pode pagar.
Temos o direito
de privar os animais do que lhes foi dado pela natureza?
Depende. Ante o direito natural da fêmea reproduzir
está o direito da ninhada inteira de não
ser atirada no rio com três dias de vida dentro
de um saco plástico, por exemplo, ou de não
ser triturada dentro de um caminhão de lixo.
O ser humano foi dotado pela natureza para reproduzir-se,
mas exerce sobre si mesmo o direito de fazer-lo
ou não, mediante o uso abundante de contraceptivos.
Hoje em dia, com a possibilidade de evitar a gravidez,
nenhuma mulher tem tantos filhos quantos anos férteis
(um por ano) e nenhum homem o exige. A natureza
ditou as mesmas leis para todos.
Mas meu cachorro
é de pura raça!
Um de cada quatro animais que são encontrados
no abandono são de pura raça. E há
algo ainda mais cruel que afeta aos de “pura raça”;
necessitam mais cuidados veterinários. Quando
o dono não está mais disposto a pagar
por eles, quando não são diretamente
abandonados, passam pela etapa da “doação”a
pessoas humildes, geralmente serviçais da
família, sem nenhuma condição
de manter-los dignamente e daí, para chegar
ao abandono como qualquer vira-latas só falta
o passo final. Dos animais de raça, 90% não
nascem em criadores legais, e sim em criadores de
fundo de quintal, sem acompanhamento veterinário
ou condições adequadas de higiene,
não sobrevivendo aos primeiros meses de vida
ou arrastando problemas crônicos de saúde.
A criação caseira anunciada nos jornais,
internet etc...conduz à morte milhares de
animais todos os anos.
O cão
castrado não serve para guarda
A personalidade do animal depende mais da sua herança
genética do que dos seus hormônios
sexuais. Sua tendência a proteger os seus
(você) não é afetada. Mas no
caso de você querer um animal apenas para
a guarda, um alarma eletrônico seria mais
recomendável.
Queria muito
ter filhotes em casa
Um bebê animal é um ser frágil
e desprotegido que inspira muita compaixão
(ainda que exista quem os atire no rio em um saco).
Se você quiser viver em casa esta experiência
sublime e ensinar aos seus filhos o respeito pela
vida alheia não é necessário
que sua cadela ou gata tenha uma ninhada. Telefone
a qualquer ONG e acolha a uma fêmea prestes
a dar a luz ou já com sua ninhada. Você
poderá cuida-la e a seus filhotes até
que possam entrar em adoção. Será
uma experiência duplamente gratificante: a
da nova vida e a da generosidade para com os animais
abandonados.
Queria muito
ter um filho do meu cachorro/gato
Esqueça. Nenhum filho do seu animal vai ser
sua cópia. È preferível que
quando ele já tenha deixado esta vida, você
pense nele como um ser insubstituível e único.
Tome o tempo que for necessário antes de
compartilhar sua vida com outro animal, que também
será especial e único para você.
Mas eu me
responsabilizo pelas crias
Ninguém duvida disso. Mas preste atenção:
você terá uma ninhada que dará
a pessoas próximas a você, que por
sua vez podem querer ter uma ninhada também.
Baseando-nos no fato de que uma fêmea tenha
apenas duas ninhadas em sua vida (gata 6+6, cadela
4+4) e levando em conta que a metade das crias sejam
fêmeas que procriam na mesma proporção
com 100% de sobrevivência dos descendentes
teremos: em cinco anos uma gata e uma cadela terão
deixado 33.812 descendentes dos quais 90%, ou seja
30.430 animais, com toda certeza terminarão
morrendo no abandono, envenenados, mutilados, atropelados
etc...e tudo será responsabilidade da decisão
do proprietário inicial.
Coordenadoria
do Bem Estar Animal
|