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04/09/2017 - Educação
Samuel e Pamela: histórias que se cruzam na EJA Florianópolis
Ele, aos 66 anos, pisa em uma sala de aula pela primeira vez. Ela, aos 16, conseguiu concluir o ensino fundamental.

foto/divulgação: SME

Samuel é aluno do NETI e Pamela da Escola Silveira de Souza

Samuel Alves irá completar 67 anos no dia 15 de novembro. Cinco filhos, neste estágio da vida, pisa pela primeira vez em uma sala de aula. Está aperfeiçoando a leitura e aprendendo a escrever na Educação de Jovens, Adultos e Idosos, EJA, programa da Prefeitura de Florianópolis.  Após o ensino médio, mesmo já tendo 70 anos, quer prestar vestibular. Quer tornar-se agrônomo. Adora a terra e animais. “Quanto tempo eu perdi. Mas tudo vale a pena. Não importa a idade que temos. Se desejamos alguma coisa, temos que ir atrás disso”, diz.

 

Nascido na cidade de Mendes Pimentel, em Minas Gerais, ficou por lá até os 14 anos. Ajudava com os seis irmãos, o pai, Davi, e a mãe, Maria, a plantar café.  A escola ficava a 36 quilômetros de distância.

 

Quando a família mudou-se para Realeza, no Paraná, Samuel não foi para um banco escolar, foi novamente plantar. Desta vez, feijão, arroz, milho, algodão.  De alegria daquele recanto, ele lembra de ter conhecido a jovem Creci Alves, com quem se casou. E mesmo lá em Realeza teve com a amada dois filhos.

 

Em busca de novos tempos, partiu com a família para Ji-Paraná, em Rondônia, para continuar a trabalhar na terra. Mas nada do mundo das letras para ele. No estado do norte, a família aumentou. Dona Creci deu à luz a mais três filhos.  Com orgulho, cita a turma, cujos nomes começam com “E”. Edna é a mais velha, com 44 anos. Elivone é o caçula, tem 35 anos.  A lista segue com Eleonice, Edione e Elianos. Jurou que os filhos não seriam como ele, um homem iletrado. Colocou todos para estudar.

 

Ele queria dar um tempo da plantação, buscava algo diferente, uma cidade diferente. Foi aí que falou com um parente que mora em São José, Santa Catarina, que o encorajou a vir para o estado. Trabalhou durante quatro anos, na década de 1990, na construção do túnel Antonieta de Barros, que liga, na capital, o Centro ao Sul da Ilha.

 

Depois, decidiu voltar para Rondônia. Porém, arrependeu-se de deixar Florianópolis. Então, aportou pela segunda vez na capital catarinense, agora atuando como caseiro de uma residência.

 

Em junho deste ano, a filha mais velha pregou uma peça no pai. Sem ele saber foi até a uma das unidades da EJA para matricular Samuel.  Com um papel na mão, revelou ao pai o que tinha feito. Surpreso, Samuel pensou, pensou, coçou a cabeça. E disse à filha que aceitaria o desafio de, enfim, aprender a escrever e a ler tudo que quisesse.

 

“Quando eu digo que vou cumprir algo, eu vou em frente”, relembra. Abraçou Edna, agradecendo a primogênita por lhe aplicar uma peça, uma bela peça.

 

Foi assim que em 9 de junho, Samuel viu um novo mundo. Tornou-se aluno de uma unidade da EJA, localizada na NETI, Núcleo de Estudos da Terceira Idade, na UFSC.

 

Um aluno aplicado que já sabe ler muitas coisas. “A professora ficou abismada com a minha facilidade em ler”. Sozinho, Samuel, às vezes, mesmo no campo, procurava decifrar a Bíblia. “Eu mesmo tentava ler alguma coisa do livro sagrado”.

 

Para os que não se alfabetizaram, deixa um recado. “Acordem para o saber. É tão bom. Estou feliz”.

 

Por onde anda, Samuel faz questão de ler placas, panfletos, cartazes. “Vamos dar valor ao que é nos oferecido de graça, como o que é oferecido pela EJA”.

 

Em uma pasta, carrega dois livros. Um deles é uma seleção de poemas chamado “Batata cozida, mingau de cará”, da catarinense Eloí Elisabet Bocheco.

 

O outro é de Rogério Andrade Barbosa. A obra “Lutando por direitos” retrata a luta de um garoto por reaver o seu cabritinho, vendido pelo pai.

 

Na vida real, a luta de Samuel é chegar da EJA até a universidade para cursar a tão sonhada faculdade de Agronomia. “Já pensou eu na faculdade, eu agrônomo?”, diz risonho.

 

Retribuindo

 

Pamela Mortaza da Silva matava aula para passear com uma galera, divertir-se. Fazer algo que para ela era mais importante do que estudar. Em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, rodou no nono ano do ensino fundamental. Tentou, então, a EJA gaúcha. Também não se deu bem. Reprovou.

 

A vida da garota de 16 anos deu uma guinada quando ela veio pra Florianópolis com a mãe Andreia, cuidadora de idosos. Decidiu levar a sério os estudos.

 

Foi assim que no primeiro semestre deste ano, ingressou na Educação de Jovens, Adultos e Idosos, coordenada pela Secretaria Municipal de Educação. Muito aplicada, em julho concluiu finalmente o ensino fundamental, na unidade da EJA que fica na Escola Silveira de Souza, no Centro.

 

Ela se empolgou tanto que depois de formada virou monitora voluntária no NETI, exatamente onde Samuel tem aulas. “Adoro ajudar aqueles que por algum motivo não conseguiram se alfabetizar ou concluir o ensino fundamental”, relata. “Faço esse trabalho de coração”.

 

Pamela, que fará 17 anos no dia 29 de setembro, diz que despertou para uma vida mais focada.  Tem como objetivo fazer o ensino médio regular a partir do ano que vem, para mais adiante disputar uma vaga na universidade para o curso de Pedagogia. “Gosto muito de crianças. Tenho certeza que vou me dar bem nesta área”.

 

Inspiração

 

“São de exemplos como o do Seu Samuel e o da Pamela que precisamos”, afirma o secretário de Educação de Florianópolis, Maurício Fernandes Pereira. Ele diz que buscar conhecimento e aprendizado, independente da idade, é a base da EJA.

 

“Pessoas que aceitam desafios, como o Seu Samuel,  ou querem retomar a vida escolar de onde pararam, como a Pamela,  são  a grande inspiração da educação”.


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