Se depender dos alunos da Escola Básica Luiz Cândido da Luz, na Vargem do Bom Jesus, a ostra será incluída na refeição escolar. O teste de aceitabilidade realizado hoje (24/09) atingiu a média de 86,07% de aprovação, entre 506 crianças e adolescentes do projeto Tempo Integral que comeram risoto de ostras. A experiência será repetida amanhã (25/09) com estudantes da Escola Básica Vítor Miguel de Souza, no Itacorubi. A iniciativa, fruto da parceria entre o Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis (IGEOF/PMF) e a Secretaria Municipal de Educação (SME), pretende viabilizar a introdução do molusco no cardápio da rede pública da Capital para oferecer aos alunos uma alimentação nutritiva e de baixa caloria.
A refeição com ostra será testada em mais quatro unidades educativas para medir a aceitabilidade do produto, seguindo normas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Na Escola Básica Vítor Miguel de Souza, no Itacorubi, 176 alunos vão provar o molusco nesta quinta-feira (25/09), por volta das 9h30. Na sexta-feira (26/09), no mesmo horário, o teste será feito com 235 estudantes da Escola Básica Almirante Carvalhal, em Coqueiros; 37 crianças da Escola Desdobrada Francisco Garcez, no Canto da Lagoa; e 34 alunos da Escola Desdobrada Lupércio Belarmino da Silva, no Ribeirão da Ilha.
Natural de Buenos Aires, na Argentina, Exequiel Martín, da 8ª série, foi um dos que aprovaram a refeição. O estudante, que mora com a família em Florianópolis há sete anos, ficou encantado com a novidade e surpreso com as ostras catarinenses que, segundo ele, são bem maiores e mais saborosas que as de seu país. "Foi o melhor risoto que eu já comi", disse após repetir o prato pela terceira vez.
Com o primeiro resultado favorável, a expectativa do superintendente do IGEOF, Edson Lemos, é boa. "Fomos informados de que aqui há muitas crianças do oeste e de outros estados. A maioria nunca tinha consumido ostra ou mesmo conhecia o molusco", comemora o idealizador do projeto. "Essa proposta vai abrir um novo mercado para os produtores de Florianópolis, e também ajudar no combate à obesidade infantil, já que a ostra é um alimento muito saudável e de baixa caloria", justifica.
O município conta com cerca de 120 maricultores, distribuídos em núcleos de produção no Norte e Sul da Ilha. Em 2007, Santa Catarina comercializou 1.115,8 toneladas, sendo a região de Florianópolis responsável por mais de 95% ostras cultivadas no estado. Do total da safra comercializada, a capital catarinense contribuiu com 580,7 toneladas e Palhoça com 396,6 toneladas.
Alimentação saudável
De acordo com a Coordenadora de Alimentação Escolar da SME, Cleusa Regina Silvano, as ostras cultivadas na região de Florianópolis apresentam um grande valor nutricional por serem importantes fontes de proteína, minerais e terem reduzido valor calórico. "São ótimas fontes de vitamina B12, necessária à formação dos glóbulos vermelhos e à manutenção de um sistema nervoso saudável, além de boas fontes de outras vitaminas do complexo B, como a niacina, tiamina e riboflavina", destaca Cleusa.
"Se houver uma boa aceitação por parte dos estudantes, a idéia da prefeitura é inserir a ostra na alimentação escolar do próximo ano", complementa o Secretário Municipal de Educação, Rodolfo Joaquim Pinto da Luz. Segundo ele, a intenção é adquirir dos produtores locais cerca de 700 quilos do molusco por mês, o que representaria na cadeia produtiva a comercialização garantida de quase sete toneladas de ostras por ano. O produto seria vendido desenconchado e embalado a vácuo, em pacotes de 500 gramas.
Conforme dados da prefeitura, 25 mil 642 pessoas são beneficiadas pelo Programa de Alimentação Escolar do município. São 8.927 crianças de creches e núcleos de educação infantil e 15. 787 estudantes do ensino fundamental. Além disso, 928 estudantes de centros de educação complementar recebem alimentação bancada pela prefeitura.
Aceitabilidade
De acordo com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), para a inclusão de um novo produto no cardápio das unidades educativas é exigido que seja realizado um teste de aceitabilidade com aprovação de no mínimo 85% dos alunos participantes da experiência. A metodologia utilizada pela Coordenadoria de Alimentação Escolar (CAE) é a do "Resto Ingesta", que consiste no cálculo do alimento distribuído (AD), a partir da pesagem do Produto Preparado (PP), menos a pesagem da sobra limpa (SL), ou seja, o que sobrou na panela. Em seguida, calcula-se o alimento consumido (AC) a partir do que foi distribuído (AD), menos a pesagem do Resto (R) que sobrou nos pratos.
Por fim, para obter o índice de aceitabilidade é feito o seguinte cálculo: (AC)/(AD) x 100. Outros itens coletados no teste são: faixa etária dos alunos, período em que é realizado o teste, quantidade do produto e o modo de preparo. Além disso, é contabilizado o número de alunos servidos e o número de repetições. O teste é realizado por nutricionistas.