Orquestra Escola

Projeto aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, de caráter educativo-cultural na área de música, com equipamentos comprados pela Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes (FCFFC) e um parceiro exclusivo - a Tractebel Energia S/A. Entre as metas, destaca-se a criação da Orquestra Sinfônica Juvenil de Florianópolis e realização de audições didáticas e concertos. Tem o apoio do Museu Histórico de Santa Catarina - Palácio Cruz e Sousa e Ministério da Cultura (MinC).

No país da Orquestra-escola, a música é o idioma oficial

Crianças, jovens e adultos, cada qual com seu instrumento. A música: o 4° movimento da Nona Sinfonia de Beethoven, ou Ode à Alegria, que dispensa apresentações – você já deve tê-lo assoviado em algum momento de sua vida. Após várias interrupções do maestro, agora a harmonia parece finalmente crescer entre a orquestra. “Pára, pára” – novo silêncio. “Pessoal, o som não é pra crescer agora. Quando eu mexo a batuta assim, é pra fazer pianinho; leve. De novo, só os violinos”.

Apesar da rigidez e do exercício contínuo, ninguém parece desestimulado. Ao contrário, até as crianças mais novas, na faixa dos oito anos, executam cada nova repetição com maior avidez e entusiasmo que a anterior, seja no violino, na viola, no violoncelo ou no contrabaixo. A funcionária pública Danise Fernandes, enquanto assiste o ensaio, aponta a filha Júlia, de nove anos, violinista, atenta. “Desde que ela começou, ficou mais concentrada, se dispersa menos...e também compartilha comigo; me faz perceber a música de uma outra forma”.

De fato, o método utilizado pela Orquestra-Escola, projeto da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes (FCFFC/PMF), possui exatamente esse caráter de ambientação ininterrupta. Quem explica isso melhor é o maestro e idealizador do projeto, Carlos Alberto Angioletti Vieira: “quando você viaja pra Inglaterra, mesmo que desconheça totalmente o inglês, o processo de aprendizado é muito mais rápido. Claro: ao seu redor, todos estão falando uma língua diferente da sua, e você aos poucos se adapta a esse universo. É assim na música: cria-se um ambiente de aprendizado, em que todos falam a mesma língua, e para isso é necessário o exercício; a concentração”.

Essa aplicação didática chama-se método Suzuki, criado no Japão logo após a II Guerra Mundial. Carlos Alberto, em duas viagens ao país, passou a utilizá-lo em Florianópolis. Foi daí que surgiu a idéia da Orquestra Escola. O maestro, que também rege a Orquestra Sinfônica de Florianópolis, recorreu à FCFFC com o projeto em 2005, que foi recebido com assentimento integral do superintendente Vilson Rosalino e aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura no ano seguinte, tendo a Tractebel Energia S/A como patocinadora exclusiva. A solenidade de lançamento ocorreu em 14 de novembro de 2006.

Apesar de a Orquestra-Escola contemplar principalmente crianças e jovens que, segundo o maestro, possuem maior facilidade de adaptação ao meio de aprendizado, as aulas são abertas também aos adultos. Isso cria um ambiente heterogêneo e democrático, sem distinção de idade, sexo, etnia ou classe social. A participação no projeto é gratuita e aberta à comunidade.

Os ensaios acontecem na própria sede da FCFFC, e incluem oficinas de violino, viola, violoncelo, contrabaixo e instrumentos de sopro, além das práticas de orquestra. Segundo a técnica da FFC responsável pelo projeto, Simone Simon, desde que foi criada a Orquestra-Escola já conta com 154 alunos de escolas públicas e particulares, e fez durante o ano de 2007 diversas apresentações no MASC, Teatro da UBRO e eventos no interior de Santa Catarina. Alguns alunos, junto com o maestro Carlos Alberto, chegaram a se apresentar no Chile.

O principal fruto do projeto Orquestra-Escola é a formação da Orquestra Sinfônica Juvenil de Florianópolis, grupo de orquestra mais consistente, que se deu através das oficinas de instrumentos de corda, de sopro e das práticas de orquestra.

O Método Suzuki

Criado a partir das observações do pedagogo e músico japonês Shinichi Suzuki (1898-1998), acerca da facilidade com que crianças aprendem suas respectivas línguas nativas, o método coloca a música como linguagem, e desmistifica o conceito dogmático de “talento natural”. De acordo com a filosofia, todos possuem potencial de aprendizado musical a depender de uma ambientação adequada. Responsabilidade familiar, concentração, audição atenta, construção de cidadania e disciplina são algumas de suas palavras-chave.

Fotos: Rosana Cacciatore e Gustavo Bonfiglioli

A divulgação do projeto foi realizada nas redes de ensino municipal, estadual e particular. Foram selecionados jovens estudantes para iniciarem aprendizagem de ensino musical através do método Suzuki. No momento, o projeto atende a 154 alunos, com idade mínima de oito anos, matriculados e freqüentando o ensino fundamental, médio ou superior.

As aulas são ministradas na sede da Fundação, nos seguintes dias e horários:


8h30min às 11h - Clarinete
15h às 18 h - Flauta Transversal
18h30min às 21h - Prática de Orquestra

Terça-feira
9h às 11h - violino
17h30min às 19h - violino

Quarta-feira
8h30min às 11h - Trompete, trompa e trombone
16h às 18h - violino
18h às 20h30min - violino, viola e violoncelo

Quinta-feira
19h às 21h - ensaio Grupo de Câmara

Sexta-feira
17h às 20h30min - Contrabaixo

EQUIPE PROFISSIONAL
Coordenação Administrativa – Simone Simon
Coordenação Técnica e Artística - Carlos Alberto Angioletti Vieira - maestro
Professores:
Andre Luiz Vieira – viola
Bernado Sens – flauta transversal
Carlos Augusto Vieira – violino
Ednilson de Souza - trompete
Jonas da Silva Jr. - contrabaixo
Katarina Grubisic Vieira - violino
Marco Aurélio Martins - trombone e trompa
Silvana Kalf – violoncelo
Susana da Costa Braga - clarinete