O
edifício que abriga o PORTAL DE FLORIANÓPOLIS é
uma edificação de suma importância na preservação
da memória cultural do Estado.
Possui um conteúdo histórico que data de 29 de junho
de 1890. Naquela ocasião, às 10:00 horas foi inaugurada
pelo Exmº Sr. Governador do Estado LAURO MULLER, a então
"HOSPEDARIA DOS IMIGRANTES".
Em 15 de outubro do mesmo ano, a Hospedaria dos Imigrantes, no
Saco do Padre (como era conhecido o local), apresenta receita
na Lei nº 204.
O prédio foi descrito na época como sendo um edifício
situado em magnífico local, possuindo um bom ponto e uma
excelente vista, com acomodações para 250 pessoas.
A Hospedaria foi o primeiro edifício projetado e construído
pelo poder público depois da Proclamação
da República.
Durante o período de 1904 a 1906, o prédio passou
a sediar a Estação Agronômica e Veterinária.
Através da Lei nº 642, de 14/09/1904 foi autorizada
a mudança da Estação Agronômica e Veterinária
para os arredores de Florianópolis.
Em 1905 o Relatório do Tesouro registrou uma despesa com
o prédio da Estação Agronômica e Veterinária.
Supõe-se que tenha sido uma reforma deste prédio,
antes hospedaria e que passou a sediar a referida estação.
O relatório de 1906 do Diretor da Estação,
Dr. GIOVANNI POSSI, cita ainda a mesma localização
da Estação ("aqui no Estreito").
A Escola de Aprendizes Marinheiros passou para esse prédio
em 02/09/1907.
Pela lei nº 771 de 28 de agosto de 1908 do Congresso Representativo
do Estado de Santa Catarina e sancionada pelo Governador, Coronel
Gustavo Richard, foram transferidos ao Ministério da Marinha,
(na ocasião geria o Ministério o Almirante Alexandrino
Farias de Alencar) os terrenos e prédio acima citados,
na conformidade com o ofício nº 536 de 20 do mesmo
mês e ano, da Secretaria Geral dos Negócios do Estado.
Pelo aviso nº 1919 de 31 de dezembro do mesmo ano foi posta
a disposição do Comandante da Escola a quantia de
50.000$000 réis, para ser empregada na reforma e adaptação
do antigo prédio.
O terreno em que ele se achava edificado é fronteiriço
à Baía Sul, do Porto de Florianópolis, e
separada do ribamar por uma estrada de rodagem. Como dimensões
tem 89,40 metros de frente, sendo igual a linha dos fundos. O
lado nordeste mede 121,50 metros e o do sudoeste 133,10 metros.
Esse terreno foi acrescido com 13 metros de frente e fundos correspondentes,
por compra realizada, em 26 de julho de 1909, do Padre Manoel
da Cruz, por um conto de réis. O Quartel da escola foi
ampliado, reforçado e modificado nas suas disposições
internas e externas, de acordo com a verba designada acima. Em
17 de março de 1909, foram iniciadas as obras, que terminaram
a 27 de julho do ano seguinte.
Aos 13 de agosto de 1909, em ofício sob nº 138, requereu
o Comandante a inclusão do imóvel ao patrimônio
da união.
Com referência à data - 1857 - existente no arco
sobre a escadaria de acesso à entrada do prédio,
supõe-se que seja a data de fundação da Escola
de Aprendizes Marinheiros.
DESCRIÇÃOToda
a edificação, cuja a frente é voltada para
sudeste, é construída de alvenaria ordinária
de tijolos, com madeiramento de lei, tirado em sua maioria, das
matas do sul da Ilha de Santa Catarina, envidraçado e coberto
de telhas francesas. O prédio apresenta dois pavimentos:
o térreo com uma pequena parte subterrânea e o superior
de menores dimensões.
No pavimento térreo encontravam-se: dois salões
para aulas, um saguão servindo de corpo da guarda, dois
paióis para fardamento e sobressalentes, uma enfermaria,
três alojamentos para inferiores, Praças e Aprendizes,
um refeitório para os alunos, oitos bailéos, uma
cozinha, ladrinas e banheiros para Aprendizes e três ladrinas
para Oficiais, Inferiores e Praças.
Na parte térrea abria-se um corredor entre os alojamentos
e na parte subterrânea achava-se o paiól de mantimentos,
um depósito para carvão e outro para tintas.
No pátio externo existia um tanque para lavagem de roupas
com a respectiva adriça e um pórtico de ginástica.
No pavimento superior encontravam-se: a secretaria, sala de visitas,
farmácia, quatro quartos para o Estado-Maior e dois refeitórios,
um para o Comandante e outro para os oficiais instrutores.
Todos esses compartimentos, menos um quarto, que servia de arquivo,
achavam-se confortavelmente mobiliados.
Dentro do terreno da Escola existia um poço cuja água
era elevada a uma caixa de zinco de 1.200 litros de capacidade,
por uma bomba aspirante - calcante movida e braços e ,
posteriormente, substituída por um moinho de vento.
Em 1943, com a construção de novos prédios
em Barreiros, a velha Escola foi fechada, no comando do Capitão
de Corveta VITORINO DA SILVA MAIA.
Os dados sobre a sua utilização no período
até 1956 são vagos e pouco precisos, não
sendo possível sua descrição.
Em 1º de agosto de 1956, a documentação é
novamente retomada. Desta vez, é ali fundada a "ESCOLA
AGRUPADA DE COQUEIROS", que teve como primeira Diretora a
Sra. NIVALDA DO ESPÍRITO SANTO. Esse estabelecimento foi
criado com a finalidade de alfabetizar os operários do
Estaleiro Naval, necessitados, e os seus filhos de modo geral.
O Jornal "O ESTADO", em sua edição de
1º de janeiro de 1960, publicava o Decreto do Prefeito Municipal,
modificando o nome da Escola para "ESCOLAS REUNIDAS ALMIRANTE
CARVALHAL". Esta passa posteriormente suas instalações
para a antiga residência do Comandante da Escola de Aprendizes
Marinheiros, também chamada "ESCOLA DE COQUEIROS".
O prédio foi utilizado para sediar o "GALERA CLUBE",
no qual foram realizadas reformas, cujo cadastro de imóvel
e benfeitorias estão em anexo.
O ofício nº 1546 de 28 de julho de 1982 do comandante
do 5º Distrito Naval ao Chefe do 16º Distrito rodoviário
Federal, tratou da cessão de Imóvel do Ministério
da Marinha.
Assunto: Conceder parte do imóvel do Galera Clube para
a construção do trecho da rodovia BR-282 correspondente
à ligação Ponte Governador Colombo Salles/BR-101.
Mas ressalta também a necessidade de preservação
do prédio da antiga "HOSPEDARIA DOS IMIGRANTES".
Em reunião realizada no Comando do 5º Distrito Naval,
em 29/06/82, examinou-se a utilização a ser dada
pelo Estado à sede do GALERA e demais áreas, já
visto que esta utilização e preservação
foi condição básica no acordo de cessão.
Estiveram presentes a esta reunião:
Vice - Almirante - FERNANDO MENDONÇA DA COSTA FREITAS -
( Comte 5º DN )
Reitor da UFSC - Dr. ERNANI BAYER
Deputado Federal - Dr. ESPERIDÃO AMIN HELOU FILHO
Secretário de Transportes - Dr. MARCOS JOÃO ROVARIS
Secretário da Cultura, Esportes e Turismo - Prof. JOÃO
NICOLAU DE CARVALHO
Assessor do Governo do Estado - Prof. NORBERTO UNGARETTI
Diretor de Operações do IPUF - Dr. RENEE GONÇALVES
Presidente da SOAMAR - Sr. OSCAR CARDOSO FILHO
Secretário da SOAMAR - Sr. HÉLIO LACERDA
Capitão-de-Mar-e-Guerra - JOSÉ JULIO PEDROSA - (
chefe do EM do 5º DM )
Capitão-de-mar-e-Guerra - LUIZ ROMERO JARDIM VILLASPOAS
(Assessor 5º DN )
Capitão-de-Fragata - GASPAR DE SOUZA DIAS - ( Encº
1º Seção do EM do 5º DN )
Nesta reunião foram sugeridos as seguintes propostas quanto
ao uso:
Marinha - Museu do Mar e Parque Marinha do Brasil, tendo esta
proposta recebido apoio do Deputado Federal - Esperidião
Amin Helou Filho.
UFSC - Museu de máquinas industriais
IPUF/SETUR - Instituto Histórico e Geográfico de
Santa Catarina
- Academia de Letras
- Arquivo Público
- Casa de Santa Catarina etc...
Somente em julho de 1984, através do convênio nº
entre o Governo do Estado de Santa Catarina e a Prefeitura Municipal
de Florianópolis, começaram as obras de restauração
no prédio da antiga "HOSPEDARIA DOS IMIGRANTES",
até então esquecido, e que passará a abrigar
o Portal de Florianópolis.
CRONOLOGIA
DO PRÉDIO QUE ABRIGA O PORTAL DE FLORIANÓPOLIS
29.06.1890
- Inauguração da Hospedaria dos Imigrantes.
15.10.1890 - Registro da receita da Hospedaria, pela Lei nº
204.
14.09.1904 à 1906 - Período em que funcionou a Estação
Agronômica e Veterinária.
02.09.1907 - Data da passagem da Escola de Aprendizes Marinheiros
para este Prédio.
18.08.1908 - Pela Lei nº 771, houve a transferência
oficial do imóvel à Marinha.
1943 - Com a construção de novos prédios
em Barreiros, a velha Escola de Aprendizes Marinheiros Marinheiros
foi fechada.
FONTE:
IPUF